Sem paciência com crianças: A oportunidade do meu amolecimento está começando

criançaNunca escondi de ninguém minha falta de paciência com as crianças, parte disso provavelmente se deve a educação da nova geração “largada” que vejo por ai, principalmente em transporte público onde a doce “pentelha elétrica” parece não ter nem mãe, nem pai e muito menos limites incomodando a tudo e a todos.

Com muita falta de sorte que tenho a vida vive me testando o poder de paciência com os pequenos “cheios de energia” a todo o momento em qualquer situação sou obrigado a conviver por alguns minutos sentado confortavelmente no ônibus ou em algum acento do trem/metrô, uma certa mãe gosta de fazer com que as pernas de sua criança fiquem voltadas para o passageiro ao lado (sim parece fazer de propósito) e como se isso não bastasse aquela criança elétrica começa a chutar a minha perna ou com suas delicadas mãos começa a tentar pegar a minha bolsa e de vez em quando mesmo que a sua responsável perceba tal comportamento faz pouco ou nenhum esforço para contê-la como se você tivesse a obrigação de conviver com aquilo pacificamente.

Meu trauma com crianças que me incomodam no transporte público é tão grande que quando vejo uma pessoa com criança que vai se sentar ao meu lado chego ao ponto de pedir licença e ficar em pé mesmo cedendo todo aquele espaço para a elétrica criança chutar o vento que pelo menos ele não irá reclamar, já eu, não quero ser o responsável por xingar uma mãe pelo incomodo que isso me causa, haja paciência.

E se alguns desses incômodos que me apresenta quando dou as minhas voltas em São Paulo por algum motivo fossem trazidos para dentro da casa onde moro? Ai não tem jeito, impossibilitado de fazer qualquer coisa só existe dois caminhos a ser seguidos, ou você sai de cena já que não terá paciência para a choradeira ou aprende a conviver da melhor forma possível com isso e tenta tirar o lado positivo disso, bem pelo menos eu tentei as duas coisas e o resultado para a minha felicidade pode ser encarado como o amolecimento de meu coração para com a criança.

Sem escolha e tendo que conviver com uma criança aparentemente “chata” por várias horas dentro da casa onde moro a primeira alternativa que me ocorreu na cabeça era a obvia e a mais fácil e cabível naquele momento, fugir da “pentelha” que chora sem motivo algum saindo e só voltando quando a mesma já tiver ido embora, mas, nem sempre vou poder fazer isso, então o jeito é descobrir se a minha experiência com as crianças pode ser melhorada, até eu fiquei surpreso e sim, pode ser que não seja tão ruim assim.

Acredito que da mesma forma que nós, as crianças podem estranhar ambientes diferentes por mais que elas se sintam bem tratadas e com toda a atenção que elas merecem, na casa onde moro não falta entretenimento infantil com os brinquedos, cachorro e até mesmo filmes infantis, vulgo desenhos animados que poderiam prender a atenção da mais elétrica criança, mas, e quando esses métodos demonstram-se pouco eficazes e a criança se desembesta a chorar compulsivamente sem motivo aparente, eu particularmente acho os truques empregados pelos “adultos” para fazerem as crianças pararem de chorar extremamente ultrapassados, na maioria das vezes eles ameaça com um chinelo, nossa ai ela vai chorar de verdade, não adianta.

Eu procuraria tentar entender o motivo do seu pranto, observando o meu faro de convivência com a criança em questão que de vez em quando visita nossas dependências parece que o motivo de seu pranto é o fato de estar sendo contrariada por qualquer coisa que seja, com tão pouco tempo de vida já quer se impor sobre os mais velhos e assim solta aquilo que eu mais odeio “choro alto e irritante” pior do que os antigos gritos de meu papagaio, eu simplesmente não suporto, mas, parece que as mães tem um grande poder de paciência, sorte a delas e provavelmente eu também teria se fosse pai, vou pensar bastante nisso, mas, essa é a arma dela para conseguir a atenção e dos adultos como sempre a de ameaça-la, na prática como disse isso não adianta, ela vai chorar do mesmo jeito.

Quando a criança não esta chorando e for possível se aproximar dela sem ficar irritado ou se sentindo incomodado com alguém como eu que não tem a mínima paciência para a choradeira pode se observar coisas bem positivas que descrevo a seguir:

– Crianças da idade daquela que está frequentando as dependências de onde moro é pura inocência, mesmo falando tudo errado é engraçado de ver seu desenvolvimento.

– Ame a todos por igual, mesmo quem parece não ser muito seu fã, a criança não sabe que eu me sinto incomodado com algumas coisas de seu comportamento e por isso me trata da mesma maneira que o mais fanático por crianças, com sua inocência eu não me atreveria a dar as costas a ela, mais fácil eu tentar saber se posso conviver com ela em perfeita harmonia mesmo sabendo que não tenho a mesma paciência da mãe ou de qualquer outra pessoa que por sua natureza adora crianças.

– Criança não tem preconceito, não me acha uma aberração só por que enxergo de um olho só, em nenhum momento fez perguntas ou me viu como um monstro e se você olhar atentamente para aqueles belos olhos negros, parecem como a cor de um lago profundo da pureza que a idade ainda lhe permite, talvez daqui alguns anos ela possa me ver como uma aberração, mas, ai cabe a mãe repreende-la ou não.

– A fase da descoberta, sempre curiosa e cheio de energia corre para lá e para cá sem parar, mas, sua pilha pode acabar tão logo se ficar sob uma piscina será o início de um sono profundo no REM mesmo onde poucos adultos consegue atingir, além disso, seu espírito de descoberta pode levá-la a vários incidentes e curiosidades e um certo surto “papagaio” como por exemplo a vontade de dizer oi a todas as pessoas o tempo todo, pelo menos nisso eu consigo ter paciência para dizer oi quantas vezes forem necessárias, mesmo repetitivo é legal de se observar.

– Me relaxe e me amoleça, de fato a convivência com uma criança que não deve ter 3 anos ainda está fazendo com que logo eu que afirmava categoricamente que “detestava crianças” pudesse ter a oportunidade de estar vivenciando o lado bom disso, ao brincar com a menina sinto profundo estado de relaxamento e admito que estou tendo prazer nisso, seria o inicio de um amolecimento no meu digamos duro coração que não tinha espaço para criança alguma, claro que mesmo sendo um processo natural o motivo maior de ao menos eu me esforçar para dar a chance a uma criança é a mãe sua causa principal, pois trata-se de uma “boa pessoa” que sempre me tratou bem, talvez isso não mude meu jeito de ser e nem que eu continue achando as crianças umas “chatas”, mas, ao menos eu posso sentir lagrimas de meus olhos quase caírem ao escrever este texto, por que tenho a certeza de que uma criança “chata” que chora sem motivo algum começa a amolecer o meu coração, simplesmente por que é pura e pelos seus belos olhos negros das cores de um lado profundo, provando para mim que a criança tem seu lado positivo.

É cedo para saber se eu vou começar a ter mais paciência com as crianças e poder deixar de achar elas tão “chatas” e “pentelhas”, mas, se antes considerava impossível para alguém como eu ficar perto de uma criança, hoje graças a essa menina que visita as dependências da casa onde moro de vez enquanto e mesmo sem querer admitir, parece que estou gostando dela é fato de que ela é a responsável pelo amolecimento do meu coração e que está me dando a oportunidade de ver o lado positivo ao brincar com uma criança, como eu me sinto? Sinto me ao menos capaz de tentar dar o meu amor a uma criança sem perder a minha paciência, talvez o máximo que possa acontecer é quando a choradeira começar eu me retirar de cena, mas, isso tudo que eu vivenciei nas ultimas três semanas que fez com que eu deixasse de achar que as crianças fossem tão chatas assim foi pura magia graças a uma criança.

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Sobre Thiago

Thiago Pereira de Brito (29) Jaraguá – São Paulo – SP é um cidadão que já teve de logo cedo lutar para viver, nascido no hospital Cruz Azul estava tentando ganhar peso suficiente já que nasceu fraco, mas infelizmente o excesso de oxigenação queimou o globo ocular de sua visão direita e o deixou sem entrada de luz e também afetou consideravelmente o olho esquerdo do qual enxerga estimados trinta por cento. O primeiro grande desafio do Thiago venho na infância a escolha de uma escola normal ou especial não parecia uma decisão muito fácil, mas, Thiago escolheu de bate pronto o que queria enfrentar e durante boa parte de sua vida enfrentou dificuldades sendo que a maior delas foi a sua própria alfabetização. Hoje Thiago trabalha como analista de suporte à redes por uma grande empresa, formado em ciência da computação tem uma história vencedora que você pode conhecer neste site acessando a seção História de Thiago.
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